Qual é o trabalho do médico infectologista?

Médica infectologista analisando cultura de bactérias.
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Estamos passando por um período muito complexo na nossa história. A Covid-19, essa doença devastadora, é apenas um presságio do que está por vir. E mesmo nesses tempos difíceis, encontramos heróis. Falando neles, vem a pergunta: qual é o trabalho do médico infectologista?

Vimos vários cientistas brasileiros ganhando os holofotes no início de 2020. Átila Iamarino, microbiólogo e virólogo, é um grande exemplo. Natália Pasternak, doutora em microbiologia e divulgadora científica, também.

Mas erramos quando associamos esses dois nomes ao trabalho do médico infectologista. Ele atua na linha de frente, na pesquisa e vem salvando vidas muito antes da pandemia sonhar em começar.

Hoje o assunto é esse: reconhecer o trabalho do médico infectologista, porque eles merecem. Vamos juntos?

O que faz o médico infectologista?

O trabalho do médico infectologista é simples de descrever, mas extremamente difícil de fazer. Basicamente, esse profissional atua na pesquisa, diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas.

Que doenças especificamente? Todas. E pesquisar o que? Bom, como elas surgem, de onde vêm e quais ainda vão aparecer em humanos. Tá vendo como é um trabalho extremamente especializado?

E não para por aí. Muito além de pesquisar sobre vírus e seus tratamentos em época de pandemia, o médico infectologista também precisa ser especialista em bactérias, fungos e parasitas.

No Brasil, país tropical, a presença de médicos infectologistas é simplesmente fundamental. Exploramos melhor a atuação desses profissionais por aqui nos tópicos abaixo, olha só:

Pessoa digitando em notebook com estetoscópio ao lado.

Combate a doenças tropicais

No Brasil mesmo, país predominantemente tropical, existem tantos tipos de doenças combatidas pelos médicos infectologistas que citar só algumas já fica difícil. Duvida? Olha aí:

  • Peste;
  • Dengue;
  • Zika;
  • Malária;
  • Cólera;
  • Raiva;
  • Sarampo;
  • Hanseníase;
  • Pólio;
  • Hantavirose;
  • Dentre várias outras.

O trabalho do médico infectologista é essencial para garantir tratamento, vacinação, prevenção e a cura dessas doenças. Algumas delas, sem cura, precisam ser erradicadas. E é o trabalho desse profissional garantir isso.

Um exemplo: você está andando pela rua e é mordido por um cachorro vira-lata. Seu primeiro impulso é ir ao médico, mesmo que não tenha sido nada muito grave, certo? No consultório, é o médico infectologista que vai conduzir exames para checar se você foi infectado pela raiva.

Se foi, o tratamento começa e pronto, você está a salvo. Se esse médico não existisse, em 10 dias a doença se desenvolveria ao estágio terminal. Complicado, né?

O Brasil é um dos expoentes mundiais na medicina tropical, sendo que o Instituto de Medicina Tropical da FIOCRUZ é um dos maiores do mundo, responsável pelo plano de contenção da Dengue no Brasil e pelo sequenciamento do genoma do Zika vírus.

Combate às parasitoses (infecções por parasitas)

Além de tudo isso, o Brasil também é cenário propício para a proliferação de parasitas. Temos um país tropical com problemas graves de saneamento básico em centenas de municípios, inclusive nas capitais.

Por conta disso, o trabalho dos médicos infectologistas não para nunca. Esse documento da Secretaria de Vigilância em Saúde, por exemplo, ainda em 2005 já contava com uma estrutura formalizada de cooperação em nível nacional para controlar as parasitoses e mitigar seus efeitos.

E que efeitos. Um relatório recente da FIOCRUZ descobriu que, de todos os analisados em uma pesquisa nacional, pelo menos 5% da população possui uma infecção de ascaris lumbricoides, a famosa lombriga. A maior parte dessas pessoas está no nordeste e no sudeste.

Esse é um exemplo prático do trabalho de médicos infectologistas a favor do povo. Com pesquisas assim, fica mais fácil encontrar zonas de perigo e atuar para a erradicação dos parasitas no Brasil.

Médico de jaleco e estetoscópio no ombro usando celular

Combate a endemias causadas por bactérias

No final de 2021, uma matéria no Globo Repórter levou muitos brasileiros às lágrimas. Imagens de uma comunidade Ianomâmi, onde a desnutrição e a malária estão destruindo famílias, chocaram todos nós.

Esse é um exemplo claro do que acontece quando não há um bom acompanhamento de médicos infectologistas em regiões remotas assim. As endemias causadas por bactérias são tão mortais quanto as virais, como é o caso da cólera, da própria malária, pneumonia e etc.

Os médicos infectologistas trabalham justamente para evitar situações assim, prevenindo a transmissão e atacando regiões com focos dessas doenças. Sem eles, o futuro das crianças estaria comprometido. E no caso dos Ianomâmis, sua própria tradição.

Quais foram os maiores médicos infectologistas do mundo?

Todo médico infectologista é gigante, disso não há a menor dúvida. Mas alguns foram tão grandes, mas tão grandes, que a humanidade inteira deve muito pra eles e elas.

Sem essas pessoas, não estaríamos onde estamos hoje. Isso é uma garantia. Veja quem são essas pessoas agora:

John Snow – descobridor da causa da cólera

Retrato antigo de John Snow, médico infectologista de Londres.

Em 1854, Londres passava por uma epidemia de cólera brutal. E não foi a primeira e nem seria a última epidemia da cidade, mas foi a primeira vez que um médico infectologista usou o método geográfico para entender onde estava o problema.

Primeiro, John Snow (não confundir com o filho de Ned Stark) identificou de onde estava vindo o problema: águas contaminadas. Depois, por um processo de eliminação, descobriu o local preciso: em um poço de uma região afastada, no coração da epidemia.

Com o poço fechado, pronto – a epidemia foi parada. Parece uma história normal? Claro, pra gente hoje realmente é. Mas naquela época, ninguém sabia o que causava a cólera. Demonstrando que ela infectava pessoas através da água contaminada por fezes, John Snow só precisou descobrir quais eram as águas mais contaminadas e pronto.

Louis Pasteur – descobridor da pneumonia

Retrato antigo em cores de Louis Pasteur em seu laboratório.

Se a pneumonia mata até hoje, imagine antigamente. Entre o fim do século XVII e o início do século XVIII, ela era a principal causa de morte das pessoas.

Louis Pasteur, isolando a saliva de infectados e as injetando em coelhos, descobriu o agente patógeno. E foi muito mais além, descobrindo também como tratá-lo de forma eficaz e como a transmissão se dava.

Ester Cerdeira Sabino e Jaqueline Góes de Jesus

Ester Cerdeira Sabino posando para a foto em bosque

Também tem Brasil na lista! Ester e Jaqueline, ambas da FIOCRUZ, foram brilhantes no combate ao coronavírus na América Latina.

Ester, como médica infectologista, já tinha desde muito tempo renome na comunidade – ela foi a responsável pelo sequenciamento do genoma do Zika vírus.

E ambas, trabalhando juntas, foram responsáveis pelo sequenciamento do genoma do Coronavírus no Brasil em 48 horas. Um trabalho recorde, que nos ajudou a entender as mutações e variantes, abrindo caminho para medidas de proteção e o desenvolvimento das vacinas brasileiras.

O que o médico infectologista faz no dia a dia?

Aí depende muito. O médico infectologista é responsável por pesquisar, diagnosticar e tratar, lembra?

Então, existem vários tipos de médicos. Aquele exemplo que a gente deu ali em cima, de quando você é mordido por um cachorro, mostra um exemplo de médico infectologista atuando no dia a dia. Ao evitar que você desenvolvesse hidrofobia, ele salvou a sua vida.

Mas quem descobriu o método de tratamento também foi um médico infectologista, dessa vez pesquisador. E quem desenvolveu um plano nacional para o combate à raiva, também – mas agora com perfil de gestão pública.

É muito difícil dizer o que exatamente todos os médicos infectologistas fazem, porque eles fazem de tudo. O que podemos fazer, porém, é seguir suas recomendações, reconhecer seus esforços e agradecê-los todo dia. Nem que seja por orações.

Gostou desse texto? Temos muito mais como eles no nosso blog. Pra gente continuar nessa mesma toada, tenho um aqui que você vai gostar bastante: o que são os vírus? E como eles atacam o nosso corpo?

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